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Os pteridófitos de São Tomé e Príncipe
A importância dos fetos em São Tomé e Príncipe foi referida pelo botânico inglês Arthur Exell na obra Catalogue of the Vascular Flora of S.Tomé. Segundo este autor, tanto em diversidade como em quantidade, os fetos de São Tomé e Príncipe não têm, provavelmente, paralelo em todo o continente africano. De facto, encontra-se em São Tomé e Príncipe o elevado número de 157 taxa de pteridófitos: 139 em São Tomé e 76 no Príncipe. Estes pteridófitos ocorrem essencialmente na floresta densa húmida.
Quando Exell visitou a ilha de São Tomé, em 1932, a floresta densa húmida de baixa altitude (até aos 800 m) encontrava-se já substituida na quase totalidade por culturas de cacau e café. Nestas áreas cultivadas, a vegetação natural foi removida, mantendo-se apenas algumas árvores de sombra. Esta alteração do meio-ambiente contribuiu para agravar o efeito da gravana, que nesta zona é considerável, manifestando-se na pobreza em pteridófitos e epífitas, quando em comparação com altitudes mais elevadas.
A maior altitude (800-1400 m) encontra-se a floresta densa húmida de montanha, onde a temperatura é inferior, a humidade mais elevada e o efeito da gravana menor, proporcionando-se, portanto, condições mais adequadas ao desenvolvimento de pteridófitos. Estes são particularmente abundantes em espécies e número, sendo a sua abundância uma das características que definem este tipo de florestas. Encontram-se aí numerosos pteridófitos, terrestres e epífitos, de vários tipos, desde os fetos arbóreos (Cyathea sp.) ou outros pteridófitos notáveis pela sua elevada altura (por exemplo Diplazium arborescens, que pode atingir os 2 m), às pequenas Selaginella formando extensos tapetes nas paredes das cascatas e ao longo dos caminhos e cursos de água.
Acima dos 1400 m e até ao cimo do Pico (a 2024 m) encontra-se a floresta de nevoeiro, com temperaturas baixas, elevadas humidade e precipitação e nevoeiro quase constante, onde ocorrem, ainda em maior quantidade, as epífitas. Os pteridófitos são muito abundantes nesta zona, encontrando-se até ao cimo do Pico, onde existem várias espécies extremamente raras.
No Príncipe os pteridófitos são também abundantes. Devido à menor altitude (948 m), as florestas desta ilha assemelham-se à floresta densa húmida de baixa altitude em São Tomé. A maior altitude, a vegetação tende a assemelhar-se à da floresta densa húmida de montanha em São Tomé.
Alguns pteridófitos de São Tomé e Príncipe são raros e encontram-se ameaçados de extinção. Dos 157 pteridófitos registados em São Tomé e Príncipe, 13 são endémicos, isto é, não se encontram em nenhum outro local. Além de contribuirem para a riqueza e originalidade da flora das ilhas, estes endemismos podem ser considerados raros em termos globais visto terem uma área de ocorrência muito reduzida. Por estes motivos é muito importante que sejam protegidos. A sua extinção tornaria mais pobres a diversidade biológica mundial e o património florístico de São Tomé e Príncipe.
Além destes endemismos, podem referir-se outros pteridófitos a proteger, como sejam os que existindo noutros países são, todavia, raros na sua área geral de distribuição ou têm uma área de distribuição muito restrita. Outros, ainda, têm populações afastadas milhares de quilómetros, isto é, apresentam uma distribuição disjunta. Por exemplo, Grammitis nigrocincta ocorre apenas no Príncipe e em Madagáscar. É possível que outrora esta espécie tivesse uma distribuição contínua no continente africano e que a disjunção que hoje se verifica se deva à extinção das populações continentais. Algumas plantas com este tipo de distribuição disjunta representam vestígios de uma vegetação antiga, agora extinta em parte da sua área original, mas sobrevivente em zonas que mantiveram as condições propícias ao seu desenvolvimento. Estas zonas, denominadas refúgios florestais, têm grande interesse em termos científicos, pois podem contribuir para o conhecimento da história da vegetação em África.
O resultado de uma avaliação da raridade e estado de conservação dos pteridófitos de São Tomé e Príncipe, com atribuição de categorias de IUCN Red List aos taxa mais ameaçados, será publicado em breve (E. Figueiredo & A. Gascoigne).
Para todos os pteridófitos, ameaçados ou não, deve-se ter cuidado na colheita de material para estudo, de modo a não perturbar o equilíbrio das populações existentes.